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Fotos da Família Goeldi

Depoimentos



Quando perdemos um amigo, ficamos mais pobres. Essa verdade sinto hoje com o desaparecimento de Oswaldo Goeldi. Essa pobreza não é só minha, mas também da gravura brasileira que perde nele o seu mais alto expoente. Recordando o amigo, vejo-o na obra que nos deixa e que é uma sincera resposta à vida que o rodeava. O tema constante de sua obra é o homem na sua fadiga de viver. As cenas que lhe serviam de motivo, ele as colheu nos aspectos quotidianos da vida; são gestos simples, gestos que se repetem indefinidamente. Mestre Goeldi, velho artesão, simples de coração e de meios, inscreveu na pele dura da madeira de fio todas as nuanças de seu temperamento de artista dotado, dono de uma visão trágica e silenciosa dos homens e das coisas. Sua obra é amor. Os pequenos lenhos gravados – sempre gravados com a simplicidade do velho artesão – nos revelam o silêncio recolhido do mar, toda aquela imensidão contida.

Nas praias a figura isolada do pescador corta o horizonte tranqüilo do mar. Figura taciturna, paralisada no gesto comum do trabalho comum. No negro profundo das suas estampas, acende-se um grande sol vermelho ou um peixe enorme arqueja aos pés também salgados do pescador. O seu tema constante é o homem, ente humilde dentro de uma paisagem também pobre. Às vezes, ele nos dá o sortilégio dos pátios abandonados e das ruas desertas. Ele ama as ruas solitárias, onde cruzam personagens tão sós que não lhes quebram o silêncio. Outras vezes seus personagens contorcem-se, caricaturais. Eles não brotam da ironia, da mordacidade, mas de um grande amor com qual procura redimi-las. Creio que por isso ele foi o magistral ilustrador de Dostoievski. No aspecto formal de sua xilografia corresponde integralmente ao mundo que expressou. Grandes superfícies planas, raramente coloridas, onde a linha nervosa, incisiva e esquemática, quase bárbara, cria as figuras que pertenceram ao seu mundo próprio. A sua força expressiva está em permanecer autêntico, fiel a si mesmo, indiferente à crítica que largo tempo relegou.

Considero que o estudo a sua obra é da máxima importância. Ela mostra que a singeleza do meio é força. Esta meditação se impõe no momento em que a força expressiva da gravura se dilui no truque que falseia o meio e o fim.

Não pretendo fazer um estudo crítico da obra de Oswaldo Goeldi, quero apenas render minha homenagem ao querido amigo e grande artista que foi e que todos perdemos.

Iberê Camargo