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Fotos da Família Goeldi

Depoimentos



A luz na gravura de Goeldi resulta de cortes preciosos sem virtuosismos ou ornamentos excedentes. Ela aparece como contraponto para as penumbras e sombras, exaltando magistrais contrastes que foram a marca permanente do artista. A cor, por sua vez, cumpre a função de acentuar as vibrações luminosas que geram as tensões da imagem. A cor não tinge nem colore. A cor marca um valor intermediário nas relações dos valores acromáticos; ela pontua como um elemento de ruptura da imobilidade das formas, como se fosse um grito.
O desenho para Goeldi converteu-se em um instrumento indispensável para aprofundar o que ele chamava meios de expressão. Temia que o gravador que dispensasse o exercício do desenho ficasse preso nas malhas da técnica, "trocando os meios pela finalidade". É por meio de desenho que o artista se habilitou para a captação do mundo visual que, mesclado aos seus sonhos, constituiu a matéria para a criação do seu universo gráfico fantasticamente melancólico e pungente.
Goeldi tinha posições muito claras e firmes em relação ao seu procedimento artístico. Em entrevista a Ferreira Gullar, publicada no Jornal do Brasil, 12.1.57, indagado sobre o que seria inovação em arte, respondeu: "não se deve confundir experimentos técnicos com a verdadeira inovação. Todo artista realmente criador inova, e isso porque ele amplia seus meios na proporção de sua necessidade de expressão". A moda e as novidades não faziam parte de suas preocupações. Escolheu ou encontrou um caminho, no qual mergulhou sem nunca perder o sentido de aprimoramento. Era um artista moderno no sentido que Lívio Abramo entendia: "um artista que conhece as forças que movem o mundo".
Convencido do que deveria fazer e obter como artista, não se sentiu atraído pelas discussões e polêmicas sobre os rumos da arte contemporânea. Seguiu sua trajetória como se o seu destino artístico já estivesse traçado e dele não se propusesse escapar, pois havia sido, também, uma escolha e um ato de fé.
Expressionista inconfundível, tanto na fatura como no imaginário, Goeldi tem como tema constante a condição humana, que ele revela por meio de imagens densamente embebidas no assombro e na perplexidade.
Nos seus desenhos e gravuras não há redundâncias. A escassez parece as~umir quase que um sentido ideológico. Na obra e na vida. Certa vez disse a RacheI de Queiroz que a pobreza era a sua liberdade. Frase que se ajusta perfeitamente à postura do expressionista que se deixou tocar por um certo sentimento romântico, ao menos no que se refere ao gosto pelo dramático.
Goeldi viveu na Suíça dos seis aos vinte e quatro anos e, evidentemente, o peso de sua formação repousa em padrões europeus, com repercussão evidente em sua obra artística. Serviu como soldado na guerra 1914/1918, o que o obrigou a interromper seus estudos politécnicos em Zurique. Ao voltar das trincheiras não retomou a politécnica, preferiu ingressar na École des Arts et Métiers, em Genebra. Nesta época, 1917, freqüentou também o atelier de Serge Pahnke e Henri van Muyden.
1919, regressou ao Brasil e sua adaptação foi penosa. Não era o filho pródigo que à casa tornara. Os 18 anos vividos fora do país faziam dele quase um estrangeiro. Tanto assim que seu trabalho despertou interesse somente em um grupo de intelectuais e artistas atentos, como Álvaro Moreyra, Manuel Bandeira, Aníbal Machado, Di Cavalcanti, entre outros. Deles recebeu estímulo e respeito. 1
Goeldi expôs pela primeira vez no Brasil, em 1921, no Liceu de Artes e Oficios do Rio de Janeiro. Seu trabalho rico de recursos gráficos e pobre de apelos visuais fáceis não encontrou por parte do público e da imprensa especializada a acolhida merecida. Um clima de abandono e desamparo abrigava uma mensagem de ternura pelo mundo e pelos seus sofridos habitantes. Os temas para seus desenhos e gravuras eram densos e tristes. Temas de aceitação dificil. O fato de a arte sobre papel não gozar de muito prestígio, constituiu agravante para a pouca circulação e divulgação de seu trabalho.
Não se deixava afetar por gostos ou preferências estilísticas orientadas pelo mercado de arte. Pagou caro por esta indiferença. Foram necessários muitos anos para que o padrão de qualidade do seu trabalho fosse reconhecido como sendo de primeira linha. Em compensação, sua intransigência era tida como modelo de firmeza e liberdade pelos jovens artistas da década de 40/50.
A sua sobrevivência cotidiana foi assegurada pelas ilustrações para jornais, revistas e uma vintena de livros. Não havia perda de qualidade das gravuras e desenhos pelo fato de serem destinados a ilustrações para reprodução. A autonomia do processo de criação sempre foi resguardada e defendida, mesmo nas obras realizadas para atender encomenda. Suas gravuras originais, de tiragem 1pouco numerosa, tiveram alguns colecionadores, raros, que, como Mendes Caldeira, se anteciparam ao reconhecimento histórico da importância de Goeldi. !

Em 1951, o artista foi convidado para participar da primeira Bienal de São Paulo,quando ganhou o 1. Prêmio de gravura para artistas brasileiros.
Sobre o prêmio, Goeldi comentpu: "que surpresa a minha ao receber a notícia de tão alta distinção - com 65 anos, fora da moda e ainda premiado. Parece sonho. É verdade que sempre acreditei em conto de fadas". Não era falsa modéstia ou subestimação. Acreditava finnemente na validade do seu trabalho, mas não fez dele trampolim para o sucesso, não era essa a sua aptidão.
Gravava e desenhava como se fosse uma missão que deveria ser cumprida com rigor e beleza. E assim foi.

Renina Katz